RECUPERAR DUAS DIVISÕES DESARRUMADAS

Uma cliente particular procurou-nos para reorganizar duas divisões da sua casa que, por não serem utilizadas, estarem transformadas informalmente em ‘arrecadações’ para todo o tipo de coisas. A ideia era recuperar o uso das duas, uma para voltar a ser um escritório, como já tinha sido, e outra, um antigo quarto de um adolescente, para funcionar como quarto de visitas.

A nossa cliente já tinha tentado arrumar sozinha as duas assoalhadas mas, dada a dimensão e complexidade da tarefa, pela quantidade e diversidade de ‘tralha’ (mas não só) acumulada, acabava sempre por desistir. Quando ouviu falar do nosso projecto, quis experimentar. Quando nos contactou, para além de se confessar incapaz de começar a arrumar, a cliente considerou também que não tinha capacidade, paciência ou tempo para arrumar ela própria as duas áreas e que pretendia um ‘serviço completo’.

Para termos uma noção do trabalho em causa e de que soluções poderíamos propor, realizamos uma visita à casa da cliente para fazermos uma avaliação. As duas divisões estavam, de facto, carregadas de coisas, ao ponto de ser impossível lá circular sem se ter de, literalmente, ‘passar por cima’ de algum objecto a cada meia dúzia de passos.

Da avaliação percebemos que (i) as duas divisões poderiam ser recuperadas sem grande investimento em mobiliário porque este já existia em quantidade suficiente, (ii) que havia muito material para deitar fora, dar, reutilizar ou que deveria estar arrumado noutro sítio e que (iii) uma vez reorganizadas e rearrumadas as duas assoalhadas, seria preciso criar um modelo de rotinas de arrumação, fácil de seguir pela cliente, para evitar cair na mesma situação.

Foi esta a proposta de trabalho que fizemos à cliente, numa lógica chave na mão, ou seja, faríamos o plano de organização e executaríamos as mudanças, com acompanhamento da cliente na tomada de decisões de fundo. Dada a dimensão da tarefa, este projecto demorou cerca de 100 horas a executar, divididas por cerca de um mês, uma vez que não foi executado em dias consecutivos, entre separação de objectos, selecção de destino a dar, limpezas, mudanças de móveis e rearrumação final.

Esta envolveu diversos tipos de tarefas, desde a arrumação de materiais de casa e quarto (no caso do quarto de visitas, cujo roupeiro funciona como repositório dos atoalhados da casa) à de materiais de escritório e biblioteca pessoal e profissional da cliente. Também foram gastas algumas horas em compras, sobretudo de materiais para controlar a arrumação das peças, sobretudo caixas, porta revistas e tabuleiros, entre outros.

Não foi preciso comprar mobiliário, apenas reorienta-lo dentro das duas divisões e ‘recuperar’ outro, guardado ou sem utilização, como o amplo tampo da secretária do escritório. Muito material supérfluo ou repetido foi entregue a amigos nele interessados ou doado a instituições e muitas peças foram arrumadas noutras zonas da casa por, na verdade, aí pertencerem, como ferramentas perdidas e objectos novos que foram catalogados como potenciais prendas.

Foi criado um sistema de caixas e gavetas sinalizadas para guardar e manter produtos específicos e a cliente ficou com um guia de como utilizar e manter rotinas de arrumação e de identificação dos locais de cada coisa.